Carnaval 2005

Homenagem ao Sr. Francisco Bregue

"Seu Chico"

Seu Chico faleceu no dia 20 de Dezembro de 2011
Vídeo do Seu Chico no programa "Pelas Ruas da Minha Cidade" (2009)
 

Entrevista com Seu Chico (2005)

 Dia de Santa Luzia, "já pedi para ela me dar boa visão".

"Nasci no dia 09 de março de 1924 mas meu registro é do dia 12.
Sempre gostei de carnaval. Desde pequeno brincava muito de entrudo como ainda hoje é feito no Ribeirão.
No Campeche, os bailes eram feitos nas casas mais antigas, começava às 4 horas da tarde e ia até 10 da noite.

Quando o baile era na casa da esquina (hoje esquina da Rua da Capela e Av. Campeche) o conjunto chegava e o baile logo começava. "A rua ficava intransitável, eu cuidava da porta. Sempre tinha algum que pulava a janela, mas eu ia lá atrás pra cobrar. Vinha gente do Estreito, da Barra da Lagoa, do Ribeirão, ficava lotado".

Deixou de promover baile porque a casa ficou muito ruim.

Trabalhou na Base Aérea entre 1941 até 1944. "Todo o dia saía de casa às 4, 30 da manhã e ia a pé, do Campeche até a Base, mais tarde ia a pé até a Seta na Costeira para pegar o caminhão que levava a gente para a Base".
"Daqui do Campeche até a Lagoa eu tinha muita sorte para arrumar namorada mas do Campeche para o Ribeirão não tinha sorte nenhuma. Aí, casei com a dona Eva, minha vizinha, quando ela tinha 16 anos e eu 21.

Com uma vitalidade invejável nunca ficou fazendo um trabalho só, exercendo várias profissões: Professor de Alfabetização de 1947 a 1950, Suplente de Delegado: "Nunca prendi ninguém", sub-delegado da Lagoa, funcionário do Ministério da Agricultura "quando numa galiota puxada por uma junta de boi, distribuía sementes de hortaliças para as comunidades", pescador e ainda fazia farinha quando chegava a época.

"Se trabalhava muito naquela, tudo era mais difícil e as famílias sempre eram grandes, eu por exemplo, tive treze filhos. No verão trabalho aqui no bar, que existe desde 1981 e no inverno eu e meus companheiros, pescamos. Sempre levanto muito cedo e vou logo pra lida: cuido dos meus boizinhos, compro os mantimentos pro bar, no verão, ou vou pro mar, na época da tainha, mesmo com 80 anos."

Do passado, "seu" Chico guarda boas lembranças da mocidade, da vida de lavrador, como funcionário público (facilitou sua aposentadoria) e da pesca que sempre gostou. Seu pai lhe ensinou algumas estratégias que tem lhe ajudado muito, tipo "quem não é visto não é lembrado", "o valente é o que corre", no sentido que a violência não é um bom caminho e "a amizade é a melhor coisa que existe".
Lembra que no dia 27 de setembro de 1947 uma nuvem de gafanhoto imensa cobriu o sol e todo mundo ficou preocupado. Gosta de contar sobre o passado do Campeche, lembra bem os originais nomes das suas ruas como a rua do Mato de Dentro (atual Pau da Canela) e o Caminho da Fonte de Água (atual Servidão Harmonia).

Estar com "seu" Chico é entrar numa freqüência de paz, riso fácil, responsabilidade, amizade, crença na vida, tudo junto construindo o dia a dia.

Isolete Dozol - Campeche

Florianópolis, Janeiro de 2005


Mais uma vez o Bloco ONODI sairá às ruas do Campeche. Será uma festa alegre e exemplo de solidariedade e cidadania. Sem incidentes, reunirá cerca de mil pessoas, numa diversão de cinco horas.
Naturalmente que muitos esforços se juntarão para que isto aconteça.
Estamos agora nos organizando para realizarmos o Carnaval 2005, com o mesmo esquema funcional que utilizamos nos anos anteriores, e gostaríamos desta vez de pedir a vossa colaboração.
O slogan do carnaval ONODI 2005, será uma homenagem a uma das ilustres figuras existente em nossa comunidade: Sêo Chico. O desenho produzido pelo artista plástico Bonson, retratando o ambiente da praia do Campeche, especialmente o Bar do Chico.