Carnaval 2009

A FESTA DO DIVINO ESPÍRITO SANTO

A festa do Divino Espírito Santo é uma tradição religiosa que teve início na cidade portuguesa de Alenquer, próxima à Lisboa. Foi instituída pela Rainha Isabel de Aragão, a Rainha Santa, que teria clamado ao Divino Espírito Santo para que acabasse com a discórdia entre seu marido, o Rei Dom Diniz e seu filho Dom Afonso. Ela fez a promessa de coroar seu súdito mais pobre no dia de Pentecostes e oferecer a ele o cetro e a almofada real, além de distribuir largas esmolas de carne e pão a grande número de pessoas carentes. Tendo alcançado a graça, dispôs a rainha, que todos os anos se dedicasse um culto muito especial ao “Divino Espírito da Paz”.

De Portugal foi levada para as ilhas dos Açores, e lá, a Festa do Divino servia para acolher a angústia dos açorianos diante da braveza da natureza com terremotos e inundações do arquipélago. Dos Açores, a Festa do Divino veio junto com os primeiros colonizadores para Santa Catarina, também para acolher as incertezas e inseguranças daqueles açorianos que chegavam aqui com tudo pra construir.

De maio a setembro, Santa Catarina revive esta que é uma das mais significativas manifestações religiosas trazida por aquelas pessoas que chegaram aqui em 1748. Pelo fato destes imigrantes terem se estabelecidos próximo ao mar, o litoral é a região do Estado onde mais acontece a comemoração, sempre durante o período que segue cinqüenta dias depois da Páscoa, culminando no domingo de Pentecostes quando se celebra a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos.

Dois ou três meses antes da festa, a Folia do Divino (foliões, bandeira e salva) percorre todas as casas da paróquia a fim de arrecadar dinheiro, que pode ser em espécie ou produto, como contribuição para a grande festa.

A festa do Divino é sempre acompanhada de outras festas que circundam os atos religiosos. Há sempre muita música, bailes, barraquinhas, danças folclóricas e queima de fogos de artifícios. 

Seguindo a tradição, a comunidade escolhe o Imperador e os ritos religiosos pedem pela paz. 

O “seu” Chico com a dona Eva já foram Imperador e Imperatriz por duas vezes nas festas do Campeche. A primeira há 27 anos, quando ainda os festeiros pagavam toda a festa, desde roupas, enfeite da igreja, música, bebida e comida. Nesse ano, a corte do imperador foram os próprios filhos, pois o casal já tinha 16. Bebia-se cerveja e a “consertada”que era feita de vinho, café, gengibre, cachaça e cravo, coisa bem típica daqui. 

Ser convidado para ser o Imperador é motivo de orgulho, pois significa reconhecimento e prestígio na comunidade.

Na capital, Florianópolis, a festa é celebrada desde 1773, na Capela da Irmandade do Divino Espírito Santo e no Campeche, na Capela de São Sebastião. O primeiro imperador festeiro do Campeche foi o sr. José Firmino. 

O “seu” Chico com a dona Eva já foram Imperador e Imperatriz por duas vezes nas festas do Campeche. A primeira há 27 anos, quando ainda os festeiros pagavam toda a festa, desde roupas, enfeite da igreja, música, bebida até comida. Naquele ano, a corte do imperador foram os próprios filhos, pois o casal já tinha 16. Bebia-se cerveja e a “consertada” que era feita de vinho, café, gengibre, cachaça e cravo, coisa bem típica daqui e derrubava qualquer um que se “perdia” nuns tragos a mais. 

A festa sempre acabava com ótimos bailes. À cantoria religiosa, segundo a tradição, se juntavam versos nada religiosos que retratava o espírito brincalhão e muitas vezes com duplo sentido, às vezes com malícia, às vezes com humor, característicos das brincadeiras e folguedos açorianos, como o que segue, colhido no Pântano do Sul: 

Ô moça da bandeira
Seja mais inteligente
Dê uma volta no pau
E bota a pomba pra frente

O ONODI que olha o nosso passado e as tradições da Ilha com o olhar doce de quem quer segurá-los por mais tempo, busca nos mais velhos moradores e na história, aquelas tradições e aqueles “causos” que fazem a delícia do bom ouvinte, do ouvinte que quer saber, que quer saber para reviver, para contar para os filhos. Neste ano, o ONODI, se junta a essas “boas almas” que gostam desta terra e de seus mais originais costumes, faz neste carnaval, uma reverência à nossa Festa do Divino. 

Isolete de Souza Dozol