Carnaval 2012

SURFOCO – A HISTÓRIA

Dois dias antes do sábado de carnaval de 1990 estava o Edinho Cunha no balcão do Bar do Minga, altamente envolvido, depois de meia dúzia de inspiração, a bolar um cartaz conclamando para um campeonato de surf, que a estas alturas já estava prontinho na sua cabeça.

Tal projeto, não era só de surf, era também de solidariedade ao amigo Edinho Daniel, que junto com Ami e Leonardo Gaúcho tinham inaugurado um bar na praia, o “Sufoco”. Ali mesmo no final da rua do Seu Minga. Lugar deserto durante o dia e “lobisomi” em noites sem lua, sofria, há dois meses, de total ausência de fregueses.

A ajuda veio de vários colaboradores, nativos e residentes.

- Ajudem-me a fazer este campeonato no sábado de carnaval.

- Sábado? Daqui a dois dias? Tá em cima da hora.

- Não tem problema, não importa o número de competidores e sim a causa nobre: ajudar meu amigo. Cada competidor  compra  duas  cervejas como  inscrição.  Assim,  o “Sufoco”, começa a ganhar um dinheirinho. Vamos juntar SURFE com SUFOCO para batizar o campeonato de SURFOCO.

Com um apito e uma bandeira e mais algumas cervejas, o cartaz e a planilha estavam prontos.

Edinho Cunha e Nenem, juízes da Federação Catarinense de Surfe no estado, saíram a pregar o cartaz e a cata de competidores. Podia ser qualquer atleta, bobyboard, pranchão, surf de peito, o que rendeu inscrição de 12 competidores, o que significava 24 cervejas vendidas como inscrição.

 

Os ganhadores deste primeiro “Surfoco” foram:

 

Categoria Nativo

1ºlugar - TATU

2ºlugar - LAURINDO

3ºlugar - NIRO (VAGAL)

Categoria Residente

1ºlugar - CUPIM

2ºlugar - SCHAMBECK

Categoria Bodyboard

1º lugar - VALMIR

2ºlugar - EMIR

 

A confraternização, ao final do evento, não poderia ser mais nativa: ensopado de cocoroca e papaterra fritas com cervejas, naturalmente.

Dois anos depois, (Terceiro SURFOCO), surgiu a necessidade de criar uma entidade de apoio técnico para as competições. Assim, foi fundada a Associação de Surfe da Picada do Ziminho, que tinha uma característica peculiar: a mesma era aberta na sexta e fechada no domingo, somente para dar respaldo legal ao acontecimento, pois na época era necessário para a realização de qualquer evento relacionado ao surfe.

De lá pra cá o SURFOCO vai, neste ano de 2012, pra sua 23º edição.

Hoje, é uma Sociedade Civil de Direito Privado. O Campeche Surf Club foi declarado de utilidade pública, conforme a lei municipal nº5.684 de 25 de junho de 2000, com o fim de desenvolver, orientar e difundir o surf, organizar, dirigir e fiscalizar atividades de surf e eventos culturais. Inscreve uma média de 80 atletas para cada Campeonato. O Bar Sufoco foi o palco deste original evento de surfe, até sua demolição em 1998.

A partir do ano de 2000, o Bar do Seo Chico assumiu o palco. Demonstrava também a boa convivência entre o velho pescador, seu abraço amplo como o seu coração e o SURF CLUB.
Hoje o grande público entre moradores, visitantes e turistas nacionais e estrangeiros não terão o Seo Chico. Também seu bar foi derrubado e ele faleceu.

 

Categorias do SURFOCO


Fraldinha
- Categoria destinada aos iniciantes do esporte, sendo uma das atrações pela participação de atletas até 10 anos de idade.

Grommets - Para atletas com idade até 14 anos.

Júnior - Participantes com idade de 15 até 18 anos.

Open Residente - Aberta a todas as idades, sendo a de maior nível técnico entre todas as categorias.

Master - Para competidores acima de 35 anos.

Nativo iniciante - Categoria iniciante dos que nasceram no Campeche e região.

Nativo - Categoria que reúne os moradores que nasceram no Campeche e região, principalmente os filhos de pescadores.

Long Board - Aberta a todas as idades, com pranchões acima de 10 pés.

Bateria do Século - Esta bateria reúne os super masters, que somando os anos de surfe, completam mais de um século de atividade.

Feminino - Categoria implantada a partir do SURFOCO 10.

 

Nem só de Surf vive o Campeche Surf Clube. Eventos como “Capela, Surf, Tainha e Rock”, depois da pescada tainha, “Independence Day” para o 7 de setembro, comemorativo ao dia da independência, “Moleques do Surf”, dia 12 de outubro para incentivar a prática do esporte entre a nova geração de surfistas, o “Só Master” que reúne a geração mais experiente do surfe de Florianópolis e o próprio “Surfoco”, que é o evento festivo de surfe mais tradicional da Ilha de Santa Catarina.

Entre as atividades culturais merecem destaque as mostras fotográficas da praia do Campeche, onde são apresentadas imagens captadas por fotógrafos locais, além de filmes de curta metragem e documentários sobre a pesca e a cultura local.

Espetáculo de música “Luzes de Natal” e apresentações folclóricas como “Boi de Mamão”, também foram eventos culturais já realizados.

 

Originalidades e alguns folclores da
 
Sociedade Campeche Surf Club


A categoria Nativo foi criada para os nascidos do Campeche porque na época os nativos não tinham chance noutras competições, permanecendo até hoje. Também não aceita inscrição de quem não mora no Campeche.

As duas cervejas continuam sendo a moeda que garante a inscrição.

O João do Izidro faleceu numa sexta de carnaval, fiel escudeiro do Edinho Cunha, sempre envolvido com a “burocracia” do SURFOCO. Naquele ano o campeonato não ocorreu no sábado. Foi transferido para a semana seguinte. A única vez que o campeonato foi adiado.

Na categoria do século concorrem numa única bateria apenas os atletas com mais de 25 anos de surfe, totalizando um século, ou mais surfando.

Será que existe alguma outra sociedade de surfe que nasceu da solidariedade entre amigos?

O que tem o Campeche Surf Club que há 23 anos faz seu campeonato, sem interrupção, inovando, aliando as tradições do lugar mesmo com a desmedida ocupação do bairro?

Há muitas histórias nos bastidores, como o impeachment de um presidente que não fazia reunião, mas logo perdoado; como aquele que bebeu todas, estatelou-se no chão. Como a reunião não acabava, o calor da discussão levou os outros parceiros a passar por cima do “cadáver” várias vezes.

O ensopado de cocoroca para comemorar o 1º SURFOCO.

Teve uma fase “americana” que se nomeava os eventos apenas em inglês.

Tem, também, um presente de Kelly Slater: uma “Lycra” assinada enviada de presente há cinco anos, como reconhecimento do próprio ao trabalho do Campeche Surf Clube.